quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Criopreservação de células estaminais?

Nunca pensei muito sobre isto. A mais pequena ideia de poder curar a minha filha de um grande mal pareceu-me genial desde sempre e uma oportunidade a não perder. Os mais de 1000€ que os bancos privados pedem pareciam-me um exagero a que eu estava disposta para um dia mais tarde não me arrepender. Afinal a acontecer uma fatalidade eu iria querer poder pagar muito mais. Muitas vezes mais de 1000€. Tudo o que fosse necessário. A aflição seria não haver preço. Não haver solução. E aí a fatalidade teria causa na minha negligência prematura. Pensei desde logo tudo isto. Mas nunca me debrucei a sério sobre o assunto. Era uma evidência. A dúvida residia apenas na escolha do laboratório. Bebé Vida? Bioteca? Crioestaminal? Outra? A verdade é que outra parecia fora de questão. A indecisão reinada já era bastante.
Hoje fomos ao obstetra. Eu e ela. Na sala de espera há flyers de todos e mais alguns bancos privados. Entradas no consultório, perguntei a opinião profissional (pois já estou cheia de opiniões pessoais). E foi bom saber o que não sabia. As patologias em que podemos usar o sangue do cordão recolhido, são patologias genéticas na sua maioria, por consequência, as células guardadas contêm esta mesma alteração genética. Logo não podem ser usadas. Nesse caso nem na Carlota nem em qualquer outra pessoa. Basicamente serão óptimas células caso tenham sido recolhidas de pessoas saudáveis. Pessoas com tanta saúde que não irão precisar delas. E é essa a minha esperança, que a Carlota nunca venha a precisar delas.
Ora, não obstante, existe o banco público. Podemos sempre doar células estaminais, assim como doamos medula óssea. Podemos amar o próximo e fazer o bem pelo bem. Podemos confiar que as células saudáveis dos nossos filhos saudáveis podem mudar a vida dos outros filhos doentes. E podemos pensar que semeamos para colher e ao semear cura colhemos saúde. E podemos pensar que a acontecer uma fatalidade, quanto maior o banco público maior a probabilidade de células compatíveis com a necessidade. E havendo necessidade vamos agradecer aos amantes do próximo.

No nascimento da minha Carlota parece, então, ser esse o desafio: AMAR O PRÓXIMO.

2 comentários:

  1. Olá Mia, costumo seguir o teu blog e não posso deixar de comentar este post porque passei pela mesma fase e tive as mesmas dúvidas. Muito embora me identifique com o que escreves, fazer o bem pelo bem, aconselho-te a reflectires melhor. De mãe para mãe :) :) :)

    Existem vantagens significativas na opção privada. Por exemplo, na área da medicina regenerativa a utilização autóloga (pelo próprio) é preferencial. Vários estudos científicos comprovam igualmente a mais-valia da mesma em transplantes alogénicos, havendo maior sucesso se este for feito no âmbito familiar. Para além disso, a incidência de doença é mais reduzida quando se usam amostras de dadores familiares. Foi por tudo isto que eu optei por um banco privado. Para quem precisar de informação aqui fica uma sugestão: http://tinyurl.com/2cwzz3b.
    Beijinhos

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  2. Ana, obrigado pelas palavras. Vou consultar.
    Beijinhos

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