Ter aplomb
Queria primeiro uma menina e só depois o rapaz, se tivesse de ser. Gosto de meninas. Gosto de folhinhos, golinhas, lacinhos, colares, pulseiras, anéis, sapatos e carteiras. Gosto de enfeites. E por isso queria uma menina. Mas também queria primeiro uma menina porque seria princesa, calminha, atenta, observadora, sensata e ponderada e mesmo ela poria freio ao pirata do irmão. E porque não queria correr o risco de não resistir e encher o rapaz de folhinhos, golinhas e senão mesmo um ou outro laçarote. E por tudo isso queria primeiro uma menina. E foi bom que assim foi.
Mas não é que a fulanita faz disparates, quer tudo o que não deve e toca de apontar com o dedinho. O pior é quando ela própria toma o alcance e zás, lá está ela no disparate. E eu ralho. E faço cara feia. Quase como se me esquecesse que tem apenas 10 meses. E ela ri-se. E já lhe sacudi a mãozinha pequenina e sapuda por duas vezes. E ela ri-se. Assim como que a desfilar os dentinhos. Assim mesmo sem qualquer ponta de respeito pela mãe, essa figura de amor e autoridade. É que a menina é cheia de aplomb. E tenho para mim que com todo o aplomb que a Vitó manifesta a coisa é capaz de se inverter. E com tanta firmeza, ousadia e atrevimento, poderá mesmo ser ela a instigadora à rebeldia e ao disparate.
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