Melhores amigas ou amigas de toda uma vida é para mim difícil de entender. Não nego a sua existência, mas fico sempre de pé atrás. Pode acontecer com as outras, mas a verdade é que comigo, não aconteceu. Olhando para estes 29 aninhos de vida posso pensar em 5 melhores amigas, em cinco diferentes momentos da minha vida, dos 7 aos 22/23 anos. Depois disso, deixei de acreditar nessas amizades-mais-que-tudo. As melhores amigas de outrora lixaram-me sempre em algum momento. Estavam muito mais centradas nelas ou em mim que na nossa amizade. E penso que esse foi o erro crasso. E eu avisava. As minhas melhores amigas, por isto ou por aquilo, acabaram sempre por me desejar algum tipo malzinho e contribuiram para tal. Uma e outra: ou porque eu tinha melhores notas que elas, ou porque não deixava de estudar para as acompanhar numa perseguição ao engate que tinham tido na outra noite, ou porque aquele rapaz com quem queriam curtir tinha uma paixoneta por mim (mesmo sem nada ter acontecido), ou porque namorisquei o melhor amigo do namorado de uma e teve ciúmes de esse não se tornar no seu melhor amigo (ou algo mais) também, sei lá, ou ainda porque pura e simplesmente não partilhava tudo, absolutamente tudo, da minha vida privada. Houve até quem chegasse a ter inveja da minha mãe, quem a quisesse para sua mãe. Eu bem sei que tenho a melhor mãe do mundo, mas é minha e ela sempre foi boa tia para os sobrinhos/as que foi adoptando. Enfim, por uma e outra parvoíce, uma e outra melhor amiga foi otária e deitou a perder a minha amizade, que sempre foi verdadeira e bem intencionada. Mesmo. Agora não me relaciono com nenhuma delas. Nenhuma. Não sei que lhes aconteceu. Nem à V, nem à V e à C, nem à J, nem à A. Nada. Algumas, as mais recentes, posso imaginar. Mas apenas isso. Não sei nada, mas desejo sinceramente toda a sorte do mundo a cada uma delas, que sejam felizes e que consigam manter amizades verdadeiras e desinteressadas com quem as aguentar. Caso contrário, é lamentável. Para vocês, tudo de bom, minhas queridas.
Já com os rapazes a história foi outra. Os rapazes de sempre continuam amigos para sempre. Casei, tenho uma filha e a relação muda obrigatoriamente (e isso dá assunto para outro post). Com alguns amigos falo, mas não vejo há tempos. Outros são amigos comuns e vou vendo. Outros nem falo há imenso tempo, mas sei que se falar será como se não o fizessemos desde ontem, apenas. São amigos. Estão lá e lá continuam, alguns há 19 anos, outro há 9, outro há 7, outros há 6. São uns queridos, e de um qualquer modo, serão sempre um pouco meus. Sempre. Bem sei. E depois há uma amiga diferente, que não é a melhor amiga porque eu não acredito no estereotipo, mas que na verdade está cá nesta minha vidinha há 16 anos. A amiga R, que tem cá estado frequentemente, com quem já vivi algumas coisas engraçadas e atípicas. Com quem nunca chorei, mas já ri muito. E já a vi chorar. Já abracei e já ralhei. Já ouvi e já me fiz ouvir. Com quem já dancei, cantei e representei. Com quem já vendi e já comprei. Com quem já fui intelectual e radical. Com quem já soprei muitas velas. E hoje é a vez dela. Parabéns, minha querida amiga!
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