sexta-feira, janeiro 21, 2011

Voto que não voto

Muito se fala das presidenciais. Mas é sempre assim. A dois dias das eleições e no último dia da campanha oficial isso é normal. Ainda assim parece-me, por qualquer razão, diferente. A verdade é que face aos candidatos anunciados estou desanimada. Entre a desilusão de alguns feitos do Sr. Presidente que se recandidata e todos os outros muito puxados à esquerda, encontro-me num beco sem saída. Se Cavaco Silva é sonso, todos os outros comungam da ilusão da perfeição de um regime utópico. Está claro que falamos de presidenciais e não de legislativas, e definir essa distinção é outro problema que todos eles parecem sentir.
Não sou de esquerda, nunca fui. Nem os entendo e até me irritam. Parecem-me longe da realidade. Também não sou partidária. Sempre votei e vou votar sempre. Voto em ideias, em projectos e pessoas. Não em partidos. Porque não sou partidária. Domingo não se esperam votos em partidos, ainda que todos eles se tenham pronunciado quanto aos candidatos. Nas presidenciais vota-se em pessoas. E eu que sempre votei nas pessoas, não encontro nenhuma em quem votar. Entre o sonso do Cavaco Silva, o lírico do já velhinho e um pouco triste do Manuel Alegre, a caridade exacerbada e fanática de Fernando Nobre, o promissor sindicalista da classe presidencial Francisco Lopes, o desfile subsidiário do figurante de Defensor Moura e a graciosa patologia de José Manuel Coelho, venha o diabo e escolha. É que eu não consigo. Sou fiel aos meus deveres. Quase tendo a concordar com o Professor Jorge Miranda com a possibilidade de uma penalização perante o não cumprimento de tal dever. E por tudo, vou votar. Mas desta vez não tenho em quem.
Não voto à esquerda mas também não voto Cavaco. Talvez porque todas as sondagens o dão como já eleito e sem precisar do meu voto. Não me apetece oferecer-lhe tal contributo, mas tê-lo como PR, perante as alternativas, diminui a agonia. Mas não me prendo a esse sentimento ou responsabilidade. Opto por um voto livre de nomes que, não obstante, me diminui o sentimento de liberdade. É que não posso escolher. Quero votar e não tenho em quem.
E por isso lá vou eu votar ainda solteira (ou o nome assim diz), cabisbaixa, sem me orgulhar do voto, porque estou inconformada com a má qualidade da representação e não posso atirar a moeda ao ar. Tenho para comigo que vai ser mesmo isso que vou escrever, “inconformada com a falta de representação de qualidade”. Isto só naquela de evitar que alguém cruze um dos quadradinhos por mim e o meu voto seja manipulado assim à descarada. É que estou chateada e não me apetece ser bonequinho de ninguém. E o seguro morreu de velho. E às cegas não se confia.

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