Mostrar mensagens com a etiqueta Palavras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Palavras. Mostrar todas as mensagens

sábado, fevereiro 25, 2012

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Expressões do Arco-da-Velha #6

Ter aplomb

Queria primeiro uma menina e só depois o rapaz, se tivesse de ser. Gosto de meninas. Gosto de folhinhos, golinhas, lacinhos, colares, pulseiras, anéis, sapatos e carteiras. Gosto de enfeites. E por isso queria uma menina. Mas também queria primeiro uma menina porque seria princesa, calminha, atenta, observadora, sensata e ponderada e mesmo ela poria freio ao pirata do irmão. E porque não queria correr o risco de não resistir e encher o rapaz de folhinhos, golinhas e senão mesmo um ou outro laçarote. E por tudo isso queria primeiro uma menina. E foi bom que assim foi.
Mas não é que a fulanita faz disparates, quer tudo o que não deve e toca de apontar com o dedinho. O pior é quando ela própria toma o alcance e zás, lá está ela no disparate. E eu ralho. E faço cara feia. Quase como se me esquecesse que tem apenas 10 meses. E ela ri-se. E já lhe sacudi a mãozinha pequenina e sapuda por duas vezes. E ela ri-se. Assim como que a desfilar os dentinhos. Assim mesmo sem qualquer ponta de respeito pela mãe, essa figura de amor e autoridade. É que a menina é cheia de aplomb. E tenho para mim que com todo o aplomb que a Vitó manifesta a coisa é capaz de se inverter. E com tanta firmeza, ousadia e atrevimento, poderá mesmo ser ela a instigadora à rebeldia e ao disparate.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Expressões do Arco-da-Velha #5

Muito bem se canta na Sé, mas é para quem é

Em criança piquena ouvia repetidamente, ou a avó que me criou, ou a empregada que se manteve lá por casa mais de 19 anos. Soava-me a lenga-lenga e não atentava ao significado.
Mais tarde, se pensasse em alguém que se vangloriasse de um feito obviamente não por si praticado, para além de o tomar como invejoso e cheio de cobiça, fraudulento e descarado, recordar-me-ia das palavras de outro tempo. É que a pura das verdades muitas são as vozes que se levantam para cantar na igreja, ainda que a pureza de espírito se fique, em muito, a dever. E a contar pelos candidatos, maior seria o coro que a restante congregação.
Vale a fé e a esperança dos crentes em que a verdade seja conhecida e que a glória seja dada aos rectos de espírito e autores das obras puras.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Expressões do Arco-da-Velha #4

Andar no fado

Cresci a ouvir fado. Sempre se gostou cá por casa. E quando perguntei porquê fado? Que queria essa palavra dizer, porque se dizia que era fado aquela música, aquelas guitarras que ouvia. Não sei que idade tinha, mas sempre me lembro do significado ensinado como destino. Fado é sina, é destino.
E talvez por isso, andar no fado indubitavelmente seria viver a sua sina, o seu destino, a sua vida. Andaria no fado aquele que teria de viver a sua vida, viver o seu destino sem poder escapar a esta ou aquela, ou mesmo todas, vicissitudes a que estava predestinado. E não sei se acredito num destino marcado. Mas andar no fado seria isso. Ou algo parecido.
E afinal andar no fado é andar num destino a que muitas vezes se é forçado, mas muitas outras é opção. E logo aí não seria como imaginava. Já não poderia ser algo a que se fosse desmedidamente forçado. Poderia ser opcional. Afinal andam no fado as mulheres da vida (outra expressão do arco-da-velha). Mulheres que andam no fado porque a isso são obrigadas ou porque por isso optaram. Mulheres (ou homens) que vendem o corpo e traçam o seu fado. Essas, e só essas, andam no fado.

sábado, dezembro 10, 2011

Expressões do Arco-da-Velha #3

Andar nos trinques

A crise leva a comportamentos atípicos. As montras anunciam promoções. E o serviço de SMS serve a publicitar outras tantas. É raro o dia em que não recebo sms desta ou daquela loja a anunciar promoções. E tenho ficado por aí: por ler as sms e nada mais.
A Vitó cresce a olhos vistos e por isso mesmo não nos alongamos em compras. Porque num ápice tudo deixa de servir. É sempre melhor opção ir comprando de modo a acompanhar o crescimento. Mas depois há aqueles momentos, como este, em que as promoções fazem escoar stocks e ainda nos restam meses de frio. E a roupa que tem não vai crescer com ela.
Quinta-feira espreitei umas lojas já a prever o que iria comprar em saldos, de modo a ter a piquêna vestida até Abril/Maio, em que tanto pode estar frio como calor. E consciencializei-me que não havia tempo para tanto. Não há tamanhos. Não há os vestidos eleitos nos tamanhos pretendidos. E o tamanho acima (porque há que contar com o crescimento) estava reduzido a um exemplar. As compras tornaram-se urgentes. E os já 35% de desconto não eram assim tão desanimadores. E hoje lá fomos nós. É que não queremos a nossa criança com mangas a deixar ver o pulso, ou vestidos com o rabo de fora, ou que não se apertem os botões. Queremos a nossa piquêna nos tinques. Mesmo que nos faça lembrar o romance de Jorge Amado, das terras de Vera Cruz.
Se agora não vejo novelas, há 20 anos via. Não havia Fox, Fantastic Life, nem parabólica tinha. E a Tieta do Agreste bem me ensinou o que é andar nos trinques. E assim, bem vestidinha, bem arranjadinha, com bons outfits é como queremos a Vitó. Queremo-la vaidosa, cheirosa, ornamentada. Porque somos vaidosos com ela. Queremo-la no tringle francês, no cabide de alfaiate. Pois que nos trinques estavam os fatos novos, impecáveis, à espera dos clientes. Queremo-la assim: nos trinques.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Expressões do Arco-da-Velha #2

do Arco-da-Velha

Pois claro está, esta seria uma expressão a considerar. E se a verdade é que durante anos a fio pensei referir-se à caquetice da expressão ou à falta de alembradura de tal coisa em questão, outra também é que me enganava. Tudo é assim porque se refere a um arco descrito na lei velha, no Antigo Testamento. E o cunho é religioso. Descrito em Génesis 9: 12-17, manifesta a aliança de Deus e a terra, o Homem e animais viventes representada pelo maravilhoso arco-íris, o arco-celeste, o arco-da-velha.
E depois contam-nos a história da chuva e do sol e o maravilhoso mundo das cores. A paleta da felicidade. E outras mais. E uns sonham. E outros deliram e acrescentam floreados à coisa. E não combina com velha. E um qualquer arco que seja da velha é outra coisa.
Mas afinal parece que não. E agora os descrentes?!
Há por aí teorias*?

* De ambos. Do arco-íris. E do arco-da-velha.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Expressões do Arco-da-Velha #1

À bambalhona

Gosto de observar pessoas. Ficar numa qualquer esplanada a ver quem passa e como é quem passa. Ou de viagem, quando sou conduzida por alguém. A verdade é que gosto ver quem passa. Como se move, como se veste, como fala. E assim encontro gente interessante. E outra tanta sem qualquer ponta de interesse. Gente divertida e gente aborrecida. Gente com pinta e gente à bambalhona, como me diz a outra - gente mal vestida, trapo a cima, trapo a baixo, desfavorecida, desleixada e quase sempre não muito cheirosa.
Mas é curioso. A expressão tem origem na imagem completamente contrária. Com referência aos walton, aqueles calções franceses com folhos largos de atilhos abaixo do joelho, era sinal do maior dos requintes dos séculos XV e XVI.
E agora? Agora, passados 4 ou 5 séculos, a coisa virou ao contrário. E há gente, como a outra, que confrontada com modelitos mal ajeitados, sem qualquer cuidado, trapalhões e aparentados a verdadeiras mastronças não se acanham de exclamar: não sou fashionista, mas olha-me aquela bambalhona! Não acumulará com cegueira?! Ou, não é ridícula?!

terça-feira, julho 26, 2011

Um. Humm...

Há um ano que me perco e reencontro neste teste de palavras que se tem revelado muito mais que um arranque.


Feliz humm!

terça-feira, março 08, 2011

As mulheres deles #5

Em Dia Internacional da Mulher deixo-vos com as mulheres (feministas) de Ricardo Reigada Pereira.
"O feminismo e os conflitos intergeracionais assentam numa mesma premissa. Qual? Copiar o modelo que "aparentemente" visam combater. Em suma, pertencem àquilo que repudiam."
, in Monadologia

E depois apelidam-me de machista! Isto porque me oponho ao feminismo (e talvez por isso nem goste muito deste dia) que me soa tão utópico como o comunismo.
São véus de pronto-a-vestir que, por não serem cortados à medida, ofuscam a visão e impedem a descodificação. Não sou machista. Adoro ser mulher e ser feminina (ainda que por vezes na charneira da piroseira). Sou mulher e ser mulher é diferente de ser homem. E é assim que quero permanecer: uma mulher muito diferente de um homem.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

quinta-feira, fevereiro 10, 2011


"Ergam-se e voltem a erguer-se até que os cordeiros se transformem em leões."

Diria genialmente Russell Crowe.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Haja vergonha!

Afinal sobrou tempo para uma coisa feia, mas foi impossível não reparar: uma vergonha a entrevista de Pedro Pinto a Braz da Silva, no Jornal Nacional. Não tenho especial afecto pelo último e o primeiro até me cai em graça, mas foi atropelo atrás de atropelo numa tentativa de manipulação não só das perguntas, mas evidente também quanto às respostas. Só faltava responder pelo interlocutor e dizer que as palavras eram daquele.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

"Já não sofro. Cansei-me de dar prazer à desgraça."
Parece-me que muitos de nós temos a aprender com António Lobo Antunes.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

ELOGIO AO AMOR

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


por Miguel ESTEVES CARDOSO, in EXPRESSO

Espero que tenha algo a ver com o facto de muitos não entenderem o NOSSO AMOR. Estúpido!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Alegrem-se com os novos baptismos

Já não vale a pena processarem os papás pelo nome que vos escolheram. Se estão mal dispostos e lamentam a falta de inspiração dos vossos progenitores, já há quem vos dê uma mãozinha e derrame brilhos de inspiração sobre o vosso mal-amado nome. E tudo isto porque a Lucy e o Djaló são uns queridos e amam o povo. E agora, por causa destes bons samaritanos, o povo pode lyoncificar o seu velhinho nome e alegrar-se por entrar na berra da moda. É só clicar na imagem e a festa arranca. E o bailarico promete durar.

As mulheres deles #3

"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
(...)
O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.Mas elas são anjos depois do sexo-amor.É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.E levitam.Algumas até voam.Mas os homens não sabem disso.E nem poderiam.Porque são tomados por um encantamentoque os faz dormir nessa hora."
por Luís Fernando Veríssimo

Posto isto, só vos digo, a vós homens: perdem tanto por tanto dormir...

terça-feira, janeiro 18, 2011

Cervantes Rules

"El sosiego, el lugar apacible, la amenidad de los capos, la serenidad de los cielos, el murmurar de las fuentes, la quietud del espíritu son grande parte para que las musas más estériles se muestren fecundas y ofrezcan partos al mundo que le colmen de maravilla y de contento.", in DON QUIJOTE, Miguel de Cervantes Saavedra