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terça-feira, abril 05, 2011
Boletim da Grávida #25
Estou prenha até à ponta dos cabelos. Não sei como é possível, mas cada vez os pés estão maiores. E se fosse só assim. O pai diz que os lábios parecem siliconados. E o marido, em prazerosa provocação, diz que pareço ter o nariz de uma preta! A barrigona, nas palavras de recém-mamãs, parece de gémeos. E depois amigos e amigas dizem-me que nunca pensaram ver-me com a barriga muito mais saliente que as maminhas! E já não basta ter de a carregar, para ainda ter de ouvir este tipo de provocações. O que vale é que está tudo por um fio. Já sonho (mesmo sem conseguir dormir) com o momento. Ver a sobrinha M faz-me ansiar ainda mais. "Como será a Carlota?" é aquela questão que me persegue. Sei que já falta pouco para lhe pôr os olhos em cima. E a partir desse dia vou ter de estar de olho aberto por muitos e muitos anos. Talvez para sempre. Mas as horas que me restam passam devagar. Isto de induzir o parto tem a sua graça. Para já evita aquele stress estúpido que só ele (penso que típico de primeira gravidez) que me fazia duvidar da consciência do trabalho de parto. Dúvida imediatamente seguida da vergonha de a ter sentido, mas enfim... Agora estou bastante mais sossegada. O sentimento chega a ser idêntico ao que antecede uma enorme viagem de férias, daquelas pelas quais esperamos todo o ano. E então é só rever e rever a lista de tudo quanto queremos levar, na tentativa de nada esquecer (ignorando a convicção presente de que ficará sempre algo para trás). E por isso há post-it espalhados com listas e listinhas. E compras de última hora. Coisa que me ocupou todo o dia e que nem me permite pensar em nervos. Pelo menos por enquanto. Que essa é a pergunta (ou a segunda) reinante em todos os telefonemas que vou recebendo: "já nasceu?! Ah ok, estás nervosa?" Mas agora também me parece não me apetecer pensar.
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