O marido dizia-se uma pessoa simples, com gostos simples e depreciava excentricidades. Dizia que não gostava de excessos, ou de coisas diferentes, menos ainda que dessem nas vistas. Dizia ele.
Hoje já não diz nada. É que não o creio nada assim. Não é folclórico. Mas é homem de algumas excentricidades e de hábitos particulares. Encontra-se muito longe de todos os seus amigos, dos nossos amigos. E eu acho imensa piada.
Hoje há jantar de Natal atrasado, dado um contratempo. Mas antes havia que ir a Lisboa resolver coisinhas pendentes. Pelo meio ficava o corte de cabelo do marido, pois que já deve ter crescido 0,5cm e não é o que ele pretende. É assim o meu homem. Então, foi viajar rumo ao Jean-Louis David do Vasco da Gama, para o Luís lhe cortar o pêlo. Mas tudo isto porque gostou que lhe aparasse a barba à mesmíssima medida que o cabelo. O Luís, que é mudo mas sabe comunicar e entendê-lo como nenhum outro, passou na tarefa com distinção e este tornou-se mais um dos seus hábitos particulares. E assim deixou de haver pelinhos ou lâminhas esquecidos pelo lavatório. Eu agradeço. E até as máquinas de barbear parecem hibernar no armário.
E também por isso, hoje, tudo o resto será um pouco mais tarde.
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