Hoje, naquele espírito pobretanas que me tem avassalado, lá fui eu acompanhar a mãe (que não tem seguro de saúde e nunca diz ao médico todo o mal que sente) à consulta do malfadado SNS. A mãe foi com a tia e eu, com a viatura atracada no quintal, fui a PÉ!! E digo-vos, é longe. Não chovia. Mas como podia o diabo tecê-las fui apetrechada do (apesar de ser giríssimo, sempre guardado) guarda-chuva. Mais um saquinho com ocupações, pois a consulta marcava as 9h45 mas era necessário confirmá-la às 8h (hora em que já estava um mar de gente devidamente ordenado numa fila com quase uma centena de metros!!). Depois de percorrido o percurso, cheguei 2m antes da hora, mesmo a tempo de poder conhecer essa realidade.
A aventura, que começou com o despertador a zunir às 7h (que por sinal me pareceram da madrugada), desenrolou-se ainda mais ritmada . Entrei em nervo miudinho só de assistir. Gente doente, gente que não está doente mas ainda assim há que ir ao médico para se certificar, gente que não lhe apetece ali estar e se levantou bem cedo, já passou por uma fila imensa e pretende receitas, ou marcar consulta, ou qualquer outra coisa justificada pela sua participação social em confronto directo com outra gente que se levanta como seu oponente, aquela mesma que é remunerada para isso. Vozes, berros e protestos de um lado e outro, como se quem fosse mais mal educado ganhasse o prémio - da indelicadeza, só pode!
Como simples-espectadora-prenhuda, sentei-me numa cadeirinha e só conseguia rir daquilo que observava, enquanto conscientemente lamentava a vida do pobre. Bendito seguro de saúde. Vai saber-me melhor cada vez que for ao médico, ou até mesmo ao desagradável serviço de urgência da agora querida CUF Descobertas.
Na vez da mãe... surpresa: o médico está num congresso e a consulta foi adiada! Posto isto, o próximo dia 20 promete! Embora um pouco menos, crendo que o transporte estará recuperado.
8h15: pé no passeio rumo a casa. Desanimadas entre risos da desgraça. Eis que, já quase me arrastando, e à Carlota, ao guarda-chuva, à pasta dos documentos, ao saquinho dos entretens e ao saco do pão (que entretando comprámos), risada total. Ora vejam...

Uma «INSPEISÃO» precisava ele! Ou eu e a mãe, quando chegámos a casa, depois hora e meia a caminhar.
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