segunda-feira, janeiro 10, 2011

Castro vs Seabra

Morreu Carlos Castro e a morte do cronista social na passada 6.ª feira já não é novidade. Seabra, o seu amigo 45 anos mais novo, ter-se-á confessado como autor do crime de forma macabra. E chovem críticas entusiastas ao possível autor, e algumas ainda à vítima.
A mim, a ter sido o Renato o autor do homicídio, parecem-me ambos autores de crimes e ambos vítimas. Todos nós temos capacidade para matar. E muito antes até de descobrirmos a nossa sexualidade. Daí não me fazerem sentido juramentos sobre a incapacidade para matar. Nem mesmo sobre nós próprios. Parece-me claro que eu, e qualquer pessoa, em determinadas situações, fosse capaz de matar. Ora, a Carlota ainda não nasceu, mas experimente alguém tocar na vida da minha filha! Ai...
Agora, as situações que despoletam essa capacidade é que me parecem divergentes.
Mas alegadamente o Renato não terá apenas matado Castro. Terá agredido e mutilado o cronista com um saca-rolhas. Ter-se-á sempre preocupado em esclarecer que não é homessexual. Terá agredido os olhos que o viram em práticas homossexuais e mutilado os órgãos fonte do desejo e objecto dessas mesmas práticas. Terá sido para ele a libertação. Terá posterior e finalmente, deixado de ser homossexual.
Parece-me claro que, neste caso, o fim terá chegado à vida de ambos: à de Castro efectivamente, e à do Renato de modo não menos real, e se não mesmo ainda antes que aquela. Pobres coitados!

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