Andar nos trinques
A crise leva a comportamentos atípicos. As montras anunciam promoções. E o serviço de SMS serve a publicitar outras tantas. É raro o dia em que não recebo sms desta ou daquela loja a anunciar promoções. E tenho ficado por aí: por ler as sms e nada mais.
A Vitó cresce a olhos vistos e por isso mesmo não nos alongamos em compras. Porque num ápice tudo deixa de servir. É sempre melhor opção ir comprando de modo a acompanhar o crescimento. Mas depois há aqueles momentos, como este, em que as promoções fazem escoar stocks e ainda nos restam meses de frio. E a roupa que tem não vai crescer com ela.
Quinta-feira espreitei umas lojas já a prever o que iria comprar em saldos, de modo a ter a piquêna vestida até Abril/Maio, em que tanto pode estar frio como calor. E consciencializei-me que não havia tempo para tanto. Não há tamanhos. Não há os vestidos eleitos nos tamanhos pretendidos. E o tamanho acima (porque há que contar com o crescimento) estava reduzido a um exemplar. As compras tornaram-se urgentes. E os já 35% de desconto não eram assim tão desanimadores. E hoje lá fomos nós. É que não queremos a nossa criança com mangas a deixar ver o pulso, ou vestidos com o rabo de fora, ou que não se apertem os botões. Queremos a nossa piquêna nos tinques. Mesmo que nos faça lembrar o romance de Jorge Amado, das terras de Vera Cruz.
Se agora não vejo novelas, há 20 anos via. Não havia Fox, Fantastic Life, nem parabólica tinha. E a Tieta do Agreste bem me ensinou o que é andar nos trinques. E assim, bem vestidinha, bem arranjadinha, com bons outfits é como queremos a Vitó. Queremo-la vaidosa, cheirosa, ornamentada. Porque somos vaidosos com ela. Queremo-la no tringle francês, no cabide de alfaiate. Pois que nos trinques estavam os fatos novos, impecáveis, à espera dos clientes. Queremo-la assim: nos trinques.
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