terça-feira, dezembro 13, 2011

La Sangre

Sou o grande amor da minha mãe. Pronto, agora ofereci-lhe uma minha concorrente à altura. Mas sou menina da mamã. Sou a sua menina. E isso nunca me incomodou. Não sou egoísta. Nem birrenta. Sou mimada no sentido de receber muito mimo, muito amor. E isso é delicioso.
E depois, fruto de ter pais divorciados, há o outro lado. Outra família. Ou outro lado da família. E já não sou menina do papá. Nunca fui. Nem mesmo nos primeiros 12 anos em que era a única. Mas este post não é sobre pais. É sobre o sangue. E neste sangue o pai foi apenas o fio condutor. É que depois, passados 12 anos, veio uma hermana. E depois otra. E mais otra. E foi sempre bom. Estão lá longe, no país irmão. O delas. Sempre lá estiveram. E eu cá. Sempre por cá andei. E nunca vivemos juntas. E a nossa língua é outra. E a nossa vida também. Mas depois há la sangre. O sangue que corre na guelra com um fervor que derruba distâncias físicas, etárias, culturais. O sangue que nos aquece e aproxima e nunca permitiu que nos esquecessemos de qualquer outra. Se tenho irmãos? Sim, 3 irmãs. Somos 4, eu e as CIT. No imediato nunca me lembro que sou filha única. Não me sinto única. Sou a única menina da mãe, ou pelo menos fui até a minha filha nascer. Sim, sou. E vivo assim todos os dias, cheia de mimo. Não obstante não esqueço mis hermanas. Fazem parte de mim, do que eu sou. Seria diferente sem elas e é por isso mesmo que me saltam da boca sempre que me perguntam se tenho irmãos. E não meias-irmãs, como alguém apregoa. São irmãs. São minhas. Não quero viver desprovida da sua existência. Quero encurtar distâncias. Como sempre. Cada vez mais. Afinal Sevilla está a dois passos. E elas estão a muito menos. Estão aqui, cá dentro. Las quiero. Las quiero mucho. Un montón. Es que sinto la sangre.

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