terça-feira, dezembro 20, 2011

Expressões do Arco-da-Velha #4

Andar no fado

Cresci a ouvir fado. Sempre se gostou cá por casa. E quando perguntei porquê fado? Que queria essa palavra dizer, porque se dizia que era fado aquela música, aquelas guitarras que ouvia. Não sei que idade tinha, mas sempre me lembro do significado ensinado como destino. Fado é sina, é destino.
E talvez por isso, andar no fado indubitavelmente seria viver a sua sina, o seu destino, a sua vida. Andaria no fado aquele que teria de viver a sua vida, viver o seu destino sem poder escapar a esta ou aquela, ou mesmo todas, vicissitudes a que estava predestinado. E não sei se acredito num destino marcado. Mas andar no fado seria isso. Ou algo parecido.
E afinal andar no fado é andar num destino a que muitas vezes se é forçado, mas muitas outras é opção. E logo aí não seria como imaginava. Já não poderia ser algo a que se fosse desmedidamente forçado. Poderia ser opcional. Afinal andam no fado as mulheres da vida (outra expressão do arco-da-velha). Mulheres que andam no fado porque a isso são obrigadas ou porque por isso optaram. Mulheres (ou homens) que vendem o corpo e traçam o seu fado. Essas, e só essas, andam no fado.

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