Este ano já te visitei e tirei fotos contigo e tudo, que isto de ser mãe tem dessas coisas. Aproveitei andares ali pelos lados do Colombo e portei-me bem. Só faltou a beijoca, mas desculpa lá, barbas só as do meu homem. Não obstante esse pormenor, fui uma menina linda todo o ano e por isso mereço recompensa.
Bem sei que a crise grita aos berros pelas ruas fora, e mais alto ainda dentro das casas deste pequeno país. Bem sei também que a família cresce, que fazemos criancinhas e o Natal são delas e acabamos para segundo, terceiro,... último plano. Eu sei, eu sei. Mas a verdade verdadinha é que eu sinto viva a criança que há em mim. E isso é facilmente manifesto. Até o sogro diz que a Carlotinha mais parece uma bonequinha que arranjei para brincar e matar saudades. Porque é assim. Permaneço menina nesta minha juventude já acentuada. E depois, a agravar, é o meu último ano nos vintes. Para o ano já estou nos trinta e perco um dos argumentos.
Assim posto, Meu Querido Pai Natal, bem que poderias satisfazer assim alguns caprichos já que cá por casa os mimos agora são subtraídos e divididos pelas partes... E estou carente. E tu, tu podes proporcionar-me sorrisos e atenuar esse sentimento: mimando-me. Mimando-me muito.
Como a vidinha não está fácil e antes que tenhas um colapso com os meus pedidos, permitindo-te ir amealhando um pouco mais (para gastares, pois claro!), até ao dia 23 (para não me responsabilizares pela loucura do dia 24) sinto-me no direito, e no dever, de te ir escrevendo e iluminar-te quanto ao como me podes fazer mais feliz.
Para já, para já, podes ir dar um saltinho ali à Vista Alegre, trazeres isto e deixares os saquinhos debaixo da árvore-mai-linda, devidamente etiquetados para a Mia.

Caneca Futuro. Centenário da República, VA.
5:50 Set Álvaro Siza Vieira, para VA.
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